Argentina e Venezuela têm outro cenário. Mercado aquecido, bom ambiente de negócios e forte demanda por talentos não formam um cenário comum para todos os países da América do Sul. Enquanto Chile, Peru e Colômbia têm o desafio de atrair bons profissionais, países como a Argentina e a Venezuela perdem oportunidades de negócios e chegam a exportar talentos. "Somos os meninos maus da vizinhança", compara Miguel Antonetti, gerente geral da Korn/Ferry na Venezuela. Segundo ele, 40% das empresas fecharam suas portas ou saíram do país nos últimos anos, o que contribuiu para a "fuga" de profissionais, especialmente CEOs e diretores. A indefinição sobre a situação política da Venezuela, que enfrenta eleições presidenciais no próximo ano, é um ponto negativo tanto para empresas quanto para executivos. "Nossos clientes pedem um perfil profissional que pode ser conseguido em qualquer lugar do mundo. O problema não é encontrar essas pessoas, mas convencê-las a se mudar para o país." O setor petrolífero ainda tem bom desempenho na Venezuela, graças aos preços no mercado internacional. Segundo Antonetti, mesmo registrando índices de crescimento abaixo da média na região, o potencial do país é grande. "Confiamos na nossa capacidade de se recuperar, mesmo não sabendo se isso acontecerá em um futuro próximo", diz. German Vidal, gerente geral da Korn/Ferry para a Argentina, afirma que, nos últimos dois anos, há um sentimento generalizado de perda de oportunidades no país. "Ao contrário de outros mercados da América do Sul, a Argentina decidiu participar da crise", brinca. Para ele, apesar de o país estar crescendo, o ambiente de negócios é prejudicado pela instabilidade. O ponto positivo disso, no entanto, está relacionado às habilidades desenvolvidas pelos executivos locais, como tolerância a ambiguidades e capacidade de trabalhar com recursos limitados. "Essas competências nos ajudaram a deixar muitas crises para trás". Com a recente melhora do cenário econômico, porém, os talentos precisam se adaptar e desenvolver novas habilidades. "Temos de trabalhar em nossos executivos a capacidade de planejar a médio e longo prazo", afirma. Para o próximo ano, as perspectivas são mais animadoras. Segundo Vidal, há planos de investimentos no setor de infraestrutura que devem movimentar o mercado local. "Estamos nos preparando para aproveitar melhor essas oportunidades." (VS)


