Busca por talentos na área jurídica atrai headhunters ao país

Por Vívian Soares | De São Paulo

A escassez de profissionais nos níveis mais altos de gestão está mudando a cultura de recrutamento no setor jurídico. O crescimento dessa área, cada vez mais estratégica dentro das companhias, e a vinda de grandes escritórios de advocacia para o Brasil fizeram com que as empresas reavaliassem suas práticas de contratação, antes baseadas em indicações internas e networking.

Influenciada por esse cenário, a consultoria de recrutamento britânica Global Legal Search desembarcou no país para abrir sua primeira unidade fora de Londres. Um dos três fundadores da empresa e ex-sócio de grandes firmas como Clifford Chance e White & Case, Colin Potter explica que o momento econômico do país motivou a vinda para o Brasil, mas o primeiro desafio foi identificar pessoas com o perfil adequado. "É muito difícil encontrar profissionais que tenham sido sócios de grandes escritórios e interessados em se tornar headhunters", diz Potter.

A solução veio quando as sócias brasileiras Viviane Lima e Carla Silvério se propuseram a replicar o modelo da Global Legal Search no país. Viviane foi responsável pelo departamento jurídico de um banco de investimentos no Brasil e sócia do escritório Vieira, Rezende, Barbosa e Guerreiro. Carla, por sua vez, foi advogada durante 14 anos nos escritórios Siqueira Castro Advogados, Andrade & Fichtner e DLA Piper. Segundo ela, a empresa deve preencher uma lacuna no recrutamento para esse mercado. "Os headhunters tradicionais são normalmente muito jovens e com pouca experiência na área. Nossa proposta é falar de sócio para sócio."

Essa estratégia, na opinião de Carla, atende às exigências do setor, habituado a contratar profissionais por indicação, especialmente em níveis mais altos. "Muitas companhias que não usavam o recrutamento profissional estão começando a sentir essa necessidade."

A sócia Viviane Lima explica que a abertura do escritório acompanha o amadurecimento do mercado jurídico. "Desde o fim da década de 1990, essa área vem se tornando cada vez mais estratégica. Os diretores jurídicos hoje estão próximos do CFO e do CEO", afirma. Ela ressalta que o desafio das empresas tem sido encontrar profissionais com perfil global. "Hoje, uma boa formação já não é suficiente. É preciso ter experiência em um escritório internacional, especialização fora do país e inglês fluente. Essas são as pessoas mais disputadas e raras no mercado", diz.

 

Autor: Vívian Soares 

Fonte: Jornal o Estado de São Paulo