Como posso evitar um mau-caráter na equipe?

Minha empresa está expandindo seus negócios, realocando pessoas e contratando outras. Em uma reunião para alinhar os novos projetos da companhia, fui informado pela direção que um funcionário de outro departamento foi designado para fazer parte da minha equipe. O problema é que consultei informalmente colegas que já trabalharam com essa pessoa e todos disseram que ela é incompetente, oportunista e até mau-caráter. Devo expor essa preocupação com os gestores e tentar trazer alguém de minha confiança ou dar uma chance ao funcionário que escolheram por mim?

Existem questões que precisam ser consideradas. A primeira é compreender quais são as reais motivações de quem realiza tal julgamento de valor. Cabe a você, como gestor, buscar princípios de justiça ancorados à lógica econômica para nortear as suas decisões de forma a fortalecer o ideal da meritocracia.

Assim sendo, é difícil assumir tal julgamento em relação a essa pessoa sem que você tenha se relacionado diretamente com ela e tenha argumentos mais concretos para afastá-la da sua equipe. No cotidiano das empresas nem sempre é isso o que ocorre, mas é o caminho mais justo.

Se esse fosse um caso de seleção de pessoas, poderíamos entender o problema de forma um pouco diferente, pois caberia a sua decisão em escolher uma pessoa competente e de boa reputação dentre candidatos. No entanto, a pessoa em questão foi designada pela diretoria para compor a sua equipe. A princípio, cabe a você acolher o colaborador.

Quando você relata que alguns dos seus colegas lhe trouxeram a mesma informação, quem são eles? Isso pode significar que, para esse grupo especificamente, essa pessoa não comunga das mesmas ideias ou ideais, ou não possui um comportamento que corresponda às expectativas.

Antes de assumir a opinião dos seus colegas como uma verdade, você deve questionar o padrão moral do grupo e perguntar o que fez com que tenham assumido esse julgamento. Qual é o padrão que é moralmente aceito por essas pessoas e se é o mesmo que você deseja adotar na relação com a sua equipe.

Tome como exemplo as organizações ilegais como a Máfia. Aquele que quiser agir eticamente, dentro da lei, não compactuando com as regras e o padrão moral aceito pela Máfia, pode ser compreendido como incompetente e "mau caráter". Em muitos casos, o indivíduo que deseja agir eticamente pode ser assumido por um grupo como um agitador, imoral ou indisciplinado. Em muitos casos o sujeito ético esta só, e a sua ação representa um ato de coragem.

Analisado esse aspecto, ainda que a pessoa designada possua, de fato, falhas de competência e caráter, essa conclusão precisa ser tomada por você diretamente. Se for o caso de substitui-la posteriormente, devemos saber: você possui autonomia para solicitar a substituição dessa pessoa sem maiores problemas, ou isso poderia ser interpretado como um capricho da sua parte?

É preciso compreender qual foi a real motivação da diretoria em designar essa pessoa para a sua equipe. Se foi apenas uma realocação funcional, fruto da expansão dos negócios, ou se há outra razão por trás disso.

Ainda que você passe a assumir que essa pessoa de fato traz problemas para a sua equipe, deve questionar se ela goza da confiança da diretoria. Ela possui um longo histórico na sua empresa? Em momentos de crescimento e expansão, decisões como essa não são tomadas sem propósitos concretos. Cabe a você demonstrar maturidade em saber lidar com essa questão sendo justo e buscando argumentos mais concretos.