Devo insistir para saber por que fui demitido?

Trabalhei durante três anos como gerente comercial em uma empresa de médio porte. Sempre fui um profissional dedicado, vesti a camisa nos projetos mais difíceis e meus superiores nunca reclamaram do meu desempenho. Há uma semana, porém, fui surpreendido com um aviso prévio. A empresa está contratando e crescendo. Meu chefe me disse que as portas estariam abertas e que eu fui um profissional importante, mas não deixou claro o motivo de estar me dispensando. Isso é normal? Devo insistir para saber quais os reais motivos da minha demissão?

É sempre importante tentar descobrir e entender o que aconteceu. Em regra geral, as pessoas são contratadas por suas competências e demitidas por razões comportamentais.

Identificar o problema vai permitir evitar possíveis armadilhas nos próximos desafios e oportunidades da sua carreira. Perguntar aos antigos chefes pode ser um caminho, mas provavelmente a comunicação estará temperada com o gosto amargo do ressentimento e da mágoa.

Tentar descobrir sozinho, questionando a si próprio e aos outros, é muito difícil. É preciso ter um apoio, buscando as respostas com pessoas que conhecem bem você e a situação.

Você terá de controlar a ansiedade, a angústia e superar a sensação de perda o mais rápido possível.

A demissão tem o mesmo peso psicológico da morte de um ente querido. O processo de ruptura de emprego segue as mesmas fases do luto e agonia descritas por Kubler Ross: choque e alívio, recusa e negação, raiva, culpa e barganha, depressão, constatação e aceitação.

Não fique isolado, procure ajuda. Falar do problema vai diminuir o sofrimento e facilitar a elaboração da perda do emprego. Para construir um futuro possível, é necessário aceitar e superar o fato, além de renunciar ao antigo trabalho, à antiga empresa e se imaginar num novo cargo.

O passo seguinte é construir um outro projeto de vida e de carreira, e sair em busca de um novo desafio. A vantagem desse momento é poder redefinir sua trajetória pela busca de performance e satisfação.

Ter sucesso é poder fazer o que mais se gosta e ser pago por isso. Uma carreira bem-sucedida, portanto, é construída a partir de um projeto estruturado sobre três diretrizes: atendimento das necessidades do mercado (o que as empresas precisam), competências e habilidades (o que se sabe fazer) e satisfação das preferências (o que se gosta de fazer).

É importante fazer um balanço, detalhar realizações, descobrir as motivações, as competências e a capacidade de resolver problemas. É fundamental também aprender a superar as dificuldades, a pouca "disponibilidade", a baixa estimulação, os medos e sentimentos de perda e fracasso. E nunca esquecer que a carreira é apenas um veículo e não o "destino" - e que esse veículo tem de ser adaptado a um objetivo pessoal de vida.

Agora é hora de encontrar no mercado quem tem o problema para o qual você tem a solução - e que esteja disposto a lhe pagar por ela. Use todos os meios e recursos nessa empreitada, assim como o apoio de familiares e amigos. Deixe que saibam que você está à procura de uma oportunidade de trabalho. Network é essencial e, desse modo, sites especializados, redes de relacionamento e comunidades específicas são muito úteis na busca por emprego.

É importante usar o tempo disponível para participar de eventos do seu setor em busca de informações e atualização. É preciso se manter visível, frequentar palestras e eventos nas câmaras de comércio e nas instituições de pesquisa e ensino.

Assim é o novo processo de gestão de carreira: atuando em várias frentes, abrindo portas diversas, expondo-se, fazendo palestras e usando todas as mídias. É preciso tirar proveito, enfim, de todas as alternativas que os novos tempos permitem. Concentre-se na sua busca o e evite perder o foco.