Devo restringir o uso de iPads e smartphones? Sou diretor de um departamento que tem, em sua maioria, funcionários jovens. Semanalmente fazemos reuniões nas quais apresento relatórios, metas e outros dados que fazem parte do trabalho. O problema é que, embora esses encontros não sejam longos, percebo que a equipe fica cada vez mais dispersa, mexendo nos smartphones e iPads, em páginas como Facebook e Twitter. Sei que essa nova geração é "multitarefa", mas essa atitude me incomoda e parece desrespeitosa. Já pensei em chamar a atenção e limitar o uso desses equipamentos nas reuniões, mas tenho medo de parecer intolerante e ultrapassado. O que devo fazer? A sua dúvida reflete o dilema de como manter os jovens da geração Y motivados e focados. Essa questão não surge apenas como um desafio aos gestores de uma empresa quando falamos de reuniões ou treinamentos, mas também aos educadores que têm buscado diferentes maneiras de manter seus alunos concentrados nas aulas. Essa geração cresceu recebendo estímulos variados, com um tempo médio de concentração de apenas 15 minutos. A internet favorece esse comportamento, já que as informações e atualizações nas redes sociais acontecem de maneira dinâmica e interativa. O grande desafio dos profissionais nascidos a partir da década de 1980 é conseguir valorizar essa capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas sem esquecer que para alcançar resultados consistentes é preciso foco. No entanto, o argumento do desrespeito não fará eco com uma turma que cresceu achando absolutamente normal o comportamento que tanto o incomoda. O que pode causar efeito é fazer com que eles também se sintam responsáveis pelos encontros. Sugiro que essa discussão de como tornar as reuniões mais interessantes aos olhos dessa jovem equipe seja compartilhada com a própria. Em um bate papo franco, peça um feedback sobre a relevância dos temas tratados e da dinâmica das reuniões. Facilite para que o grupo dê respostas concretas e práticas, mas estimule para que tirem as próprias conclusões. Vocês podem construir juntos um modelo que seja produtivo e motivador para todos. Controlar o uso de equipamentos eletrônicos nas reuniões não será o meio mais eficiente para mostrar a importância dos relatórios, dados e metas. Poder estar conectado é algo que faz muito sentido a essa geração. Restringir isso sem que eles compreendam as suas razões pode soar punitivo e, aí, o resultado vai desmotivá-los ainda mais. Nós, gestores, somos responsáveis também pela sustentabilidade das empresas. Para isso, precisamos pensar em como fazer a manutenção da cultura da instituição, sem perder de vista a atração e a retenção dessa nova geração de profissionais que já é o presente e será o futuro das organizações.


