Devo sair de um lugar onde estou confortável?

Após quatro anos na mesma empresa, sinto que encerrei um ciclo e estou com vontade de buscar novos desafios. Atualmente faço parte de uma equipe bastante unida e competente, liderada por um chefe que sempre me dá feedbacks e reconhece o meu trabalho. Recebi uma proposta de emprego interessante, mas de um setor que não domino. Tenho medo de não me sair tão bem se mudar, uma vez que não sei se terei o mesmo apoio das outras pessoas e nem se dou conta do trabalho sozinho. Devo tentar crescer e desenvolver minha carreira na atual empresa ou tentar navegar em novos mares?

Situações de escolha como essa que você esta enfrentando não possuem uma resposta pronta. Elas nos colocam frente a nós mesmos, forçando-nos ao difícil exercício de responder três importantes questões básicas da filosofia: Quem eu sou? De onde vim? Para onde estou indo?

Tudo o que desconhecemos nos gera angústia. A nova proposta traz a perspectiva da perda do que você tem hoje: um ambiente onde se sente bem, reconhecido e acolhido, certamente lhe impondo grande desconforto. Na nova empresa você terá de reconstruir seus laços sociais, o que exige o esforço de conhecer e acolher aos outros, que ainda são estranhos.

Por outro lado, esse desconforto pode ser superado se estiver claro para você os motivos pelos quais está deixando a sua empresa atual, o que está perseguindo e aonde quer chegar. Atualmente, evoluções significativas de carreira ocorrem com frequência via troca de emprego. As empresas possuem sua própria dinâmica de mudança e sucessão e as oportunidades que surgem fora podem ser mais atraentes.

Num mundo empresarial onde cada vez mais as políticas de retenção permanente do capital humano dão lugar a políticas de alto turnover e retenção de curto prazo, o indivíduo deve ser responsável pela gestão da sua carreira. Assim, o maior obstáculo para tomar uma decisão como essa está dentro de você mesmo.

A maior incerteza e risco do mundo corporativo atual exigem a busca contínua pela autodisciplina e autoconhecimento. Quanto mais você se conhecer, compreendendo aquilo que gosta e o que faz com facilidade, melhor poderá analisar a nova posição e entender se realmente é uma boa opção que compensa o sacrifício da mudança.

Quanto mais compreender o que realmente te move e faz feliz no desempenho pessoal e profissional, mais você será capaz de escolher, sem remorsos, por um caminho - mesmo que este represente uma opção menos atraente aos olhos dos outros.

Sob essa perspectiva, o sucesso profissional é algo relativo e pessoal. A conquista que merece a devida comemoração vai depender daquilo que você perseguiu e idealizou para você mesmo. Então, busque compreender qual é a causa essencial por trás das suas ações. Veja se ela é nobre o bastante aos seus olhos, se não está deformada por vaidades e fantasias, e tome a sua decisão.

Fazendo isso e analisando objetivamente a proposta de trabalho, o seu medo de enfrentar um novo ambiente e ter de reconstruir as relações com as pessoas e a percepção da boa qualidade do seu trabalho vai se reduzindo até que esteja seguro que esse é o melhor caminho.

Com o tempo, a maturidade nos revela que não existe um caminho certo ou errado, mas aquele que nós escolhemos movidos por uma causa pessoal. Algumas pessoas colocam o trabalho como o interesse principal de suas vidas, descuidando-se de aspectos fundamentais como família, saúde, amizade e vida espiritual. Procure fazer uma autoanálise, considerando todos esses aspectos. Pense em você de forma mais integral. Não tenha medo, confie em si mesmo, na força da causa que te move e vá em frente.