Devo sondar o mercado para ganhar aumento? Trabalho há cinco anos em uma companhia de médio porte. Durante esse período não tive nenhum aumento de salário. Já abordei o assunto com meu chefe, mas a cultura da empresa costuma turbinar a remuneração apenas de executivos que recebem ofertas da concorrência, no intuito de retê-los. Tenho um trabalho desafiador e não pretendo mudar de companhia, mas estou pensando em buscar uma proposta no mercado apenas para ter poder de negociação e um aumento de salário. Isso pode acabar prejudicando minha carreira? Muito boa a ideia de prospectar o mercado para saber se existem empresas que pagariam mais e melhor pelo seu trabalho. É um bom caminho para descobrir valores, mas talvez essa estratégia não lhe traga os resultados esperados. Sua empresa provavelmente sabe quanto o mercado está pagando. Você busca é reconhecimento e recompensa. Salvo exceções, o valor de uma remuneração não é estabelecido em bases tão subjetivas como as que você imagina. Nós, como profissionais, somos comparáveis a qualquer outro produto. Um produto é a solução para um problema ou o atendimento de uma necessidade - mesmo quando ela é subjetiva ou psicológica. Isso também vale para o mundo corporativo. Somos contratados e pagos pela nossa capacidade de apresentar a solução para algum problema da empresa. Quando o que propomos muitos outros profissionais também propõem, o valor para nossa solução é baixo. Por outro lado, quando muitas empresas têm o problema para o qual temos ou conhecemos a solução e poucas pessoas sabem como resolvê-lo, o valor de nossa remuneração será elevado. A forma de remuneração antiga era ligada ao volume de produção. O "tempo de casa" e a impossibilidade de redução salarial eram fatores fundamentais na evolução dos salários. Isso criava um efeito perverso: profissionais antigos acabavam tendo remuneração superior à dos mais jovens, melhor preparados. O contrato implícito era estabelecido sobre um conceito de lealdade mútua. A companhia dava segurança econômica e o funcionário devia "vestir a camisa". Isso não faz mais sentido nas modernas sociedades do conhecimento. Hoje, a única segurança de emprego e valor do trabalho que resta é a empregabilidade de cada um, que é medida pelo seu valor para o mercado externo da empresa. É difícil estabelecer uma relação direta entre o desempenho e a produtividade de um indivíduo e o volume de produção. Essa dificuldade provoca uma inadequação dos sistemas clássicos de avaliação e remuneração. Hoje, o que vale é a solução, é o atingimento dos resultados. As remunerações variam não mais apenas em função do esforço e do desempenho dos funcionários, mas, sobretudo, pelo desempenho da empresa ou, até mesmo, pela cotação de mercado das ações. O novo trabalhador do conhecimento não é incentivado e mobilizado apenas por remuneração e incentivos financeiros. O que o move é o desafio verdadeiro, a atualização permanente, o uso das ferramentas mais modernas, a liberdade de atuação e a valorização do seu conhecimento e de sua participação.
Gilberto Guimarães - responde


