É possível aliar qualidade de vida e trabalho

Os funcionários do escritório central da Alcoa, no Brooklin, na capital paulista, mal podem esperar o verão chegar, em 21 de dezembro. Quando as temperaturas sobem, eles fogem dos congestionamentos tradicionais das noites de sexta-feira e saem às 15 horas. O fim-de-semana começa antes. 'É difícil para mim, mas também tenho de cumprir', diz o bem-humorado presidente da Alcoa América Latina e Caribe, Franklin L. Feder.

Faz parte das estratégias para possibilitar qualidade de vida aos funcionários. 'É um desafio para nós, porque a maior parte dos nossos processos são contínuos, 24 horas por dia, sete dias por semana. Nossa indústria é global e o fluxo de informações e demandas também segue esse ritmo', afirma Feder. 'Precisamos encontrar uma forma de focar no trabalho e também ter espaço para a qualidade de vida.'

Além do período mais curto na sexta, a empresa instituiu medidas em várias unidades, como o horário flexível na unidade de compras de Poços de Caldas, por exemplo. 'Os funcionários lidam com clientes na China, Austrália, às vezes às 3 da manhã. Então podem e devem ter horário fora do usual', diz o gerente de Relações Trabalhistas, Diversidade e Ambiente de Trabalho da Alcoa, Marcelo Lomelino.

Dentro da estratégia de beneficiar as pessoas, foi ampliado o programa que oferece, de forma confidencial, assistência jurídica, psicológica e até de administração econômica. Além disso, as mamães alcoanas (porque os colaboradores fazem questão de ostentar esse título) já contam com licença maternidade de seis meses desde o semestre passado. 'Aderimos ao Programa Empresa Cidadã, com a extensão do período', explica Lomelino. Há ainda o incentivo à inclusão, ao respeito à diversidade.

Medidas como essas colocaram a Alcoa no ranking das 15 maiores entre as melhores empresas para trabalhar do Great Place to Work. ''Esse prêmio significa muito para nós, ser reconhecida como empresa onde é bom trabalhar é de uma importância imensa e ajuda na retenção do funcionário, reforça o orgulho de participar da Alcoa.'

Esse conceito de atração e retenção tem um canal de ação em outro programa novo: os funcionários são incentivados a indicar profissionais de fora para vir trabalhar na Alcoa.

Feder lembra que a indústria do alumínio não saiu tão rápido da crise mundial de 2008/2009 quanto outros setores. 'Somos um segmento global, com margens muito apertadas, e foi um desfio imenso lidar com o problema.' De acordo com o presidente, tomou-se a decisão de manter os empregos ao máximo. 'Mas tivemos de diminuir várias iniciativas de desenvolvimento e treinamento de pessoas.'

A retomada, porém, veio forte a partir do segundo trimestre de 2010. 'Recuperamos e ampliamos, com uma série de inovações, porque o mercado de talentos no Brasil é extremamente competitivo', explica Feder.

Os funcionários contam, por exemplo, com uma universidade corporativa, que oferece diversos cursos e biblioteca. O desenvolvimento profissional foi o benefício mais valorizado na pesquisa do Great Place to Worl pelos alcoanos (40%), seguido da qualidade de vida (29%).