É preciso ter a capacidade de enxergar as oportunidades
CLÁUDIO MARQUES - O Estado de SP


Garra, dedicação, muito trabalho. Assim pode ser resumida a fórmula que Valmir Colodrão, de 46 anos, usou para ir de office boy a presidente de uma empresa. No seu caso, a BGMRodotec. A companhia se apresenta como líder no segmento de softwares de gestão para transportadoras, tem 220 colaboradores, 1,5 mil clientes, está avaliada em R$ 40 milhões e prevê crescer 25% neste ano, faturando R$ 28 milhões.

Como foi sua trajetória?

Eu vim de família humilde, meu pai era motorista e somos uma família grande. Comecei trabalhando como office boy numa metalúrgica em 1978, aos 14 anos. Dessa empresa, fui convidado para trabalhar na Viação Santo Inácio, onde meu pai era motorista. Fui ser office boy. Fiquei lá por dois anos e depois entrei numa metalúrgica como auxiliar de escritório. Permaneci durante quatro anos e fui subindo de função e me tornei auxiliar de programação de produção. Nessa época, estava fazendo colégio técnico de informática, porque naquele tempo não havia graduação na área. Em 1984, aceitei o convite para voltar à viação e ser digitador de computador. Um ano depois, a empresa que prestava serviço de software para a transportadora, a BGM Informática, me convidou para trabalhar como estagiário de programador de computador. Lá, passei de programador para analista e continuei buscando meu espaço.

E a fusão com a Rodotec?

Em 1990, a BGM se juntou à Rodotech, do Rio de Janeiro. Como tinham o porte e o tipo de serviço bastante parecidos, criaram a empresa BGM Rodotec. Na época, já era gerente de operações e fui crescendo na empresa. Com a fusão, tivemos que juntar as culturas das empresas, tivemos que dar ganho de escala para poder fazer sentido a fusão. E aí eu vim fazendo todo esse trabalho junto com a equipe e outros diretores até que, em 2009, fui convidado para ser o presidente.

E qual é a receita para crescer numa empresa?

Acho que me ajudou muito ter humildade e agressividade. Se alguém conseguir balancear essas características, consegue crescer. Porque as oportunidades estão lá, surgem a todo momento. Mas se você se acomoda com aquilo que já tem, não consegue crescer na empresa. Só que também precisa saber gerenciar as pessoas, os recursos. Se conseguir balancear agressividade e humildade, dá-se o tom do crescimento.

Mas o que é agressividade?

É não perder oportunidades, é ir buscar as oportunidades. Às vezes as oportunidades estão escondidas e é preciso ter a capacidade de enxergá-las. É não se acomodar. E trabalhar muito. Uma vez tive de mentir para minha namorada para ir trabalhar. Ela dizia que eu estava trabalhando muito, sábados e domingos, e ela estava me cobrando muito. Então, disse a ela que no sábado à tarde eu ia tomar chope com os amigos. Mas ela me ligou e descobriu que eu estava trabalhando no sábado à tarde. Então, faz parte da dedicação, correr atrás de seus objetivos.

O seu foco sempre foi o setor de softwares e informática?

Era um negócio novo no Brasil e falava-se que a remuneração era boa. Então, como vim de família humilde, não havia esse lado de experimentação. Tinha de focar e ir atrás do que se acredita que vá dar um retorno financeiro bom, para poder ajudar a família, ter independência financeira. Mas eu dei sorte porque escolhi um negócio do qual gostei. Então, faço meu trabalho com prazer.

Essa dedicação a que o senhor se referiu passa pela renovação do conhecimento?

O detalhe é que eu prestei vestibular para duas faculdades, em 1985 para análise de sistemas, e 1989 para administração. Entrei nas duas, mas não acabei nenhuma delas. Havia muito trabalho e eu me dedicava muito ao trabalho. Não cursei faculdade, mas sempre busco a capacitação em treinamentos. Faz um ano que temos um programa de capacitação da direção e de gerentes na Fundação Dom Cabral, que é considerada a quinta melhor escola de negócios do mundo. Participamos de um programa chamado Plano para a Excelência, o Paex. Buscamos capacitação e trabalhar os pilares de sustentação da empresa. Estabelecemos indicadores, e vamos compartilhar com a equipe. Temos uma administração bem participativa. Também frequentamos congressos, cursos etc. Tem de buscar conhecimento sempre.

Qual é o seu maior desafio no cargo de presidente?

Nosso grande desafio é mudar nossa plataforma de software. Vamos oferecer um software de última geração para o mercado. Hoje, somos líderes nesse segmento. O que nós estamos buscando com a mudança é a consolidação dessa liderança no mercado.