Empresas criam programas alternativos.

Os programas de expatriação, que fogem do tradicional pacote de dois ou três anos fora do país para depois retornar ao mesmo cargo no local de origem, estão ganhando espaço nas companhias globais. Empresas como a General Electric (GE) e a Souza Cruz inovam ao oferecer opções ao expatriado que variam de acordo com o perfil, tipo de habilidade e nível profissional.

Segundo João Marques Fonseca, diretor da empresa especializada em expatriação Emdoc, os modelos clássicos de internacionalização de executivos ficaram no passado. "Cada empresa está criando diferentes soluções para resolver seus gargalos", afirma.

Na GE, as opções vão desde projetos curtos, de três a seis meses, até oportunidades para ficar cinco anos fora do país. No primeiro caso, o objetivo é aplicar os conhecimentos do profissional em projetos específicos de alguma filial. "É um programa flexível, que ajuda o participante a aprender mais sobre a cultura e o negócio, além de compartilhar suas habilidades com outro time", afirma Hector Aguilar, diretor de RH para a América Latina, ele mesmo expatriado seis vezes.

Com o objetivo de acelerar a carreira de jovens talentos, a empresa também desenvolveu um programa em que os profissionais passam dois anos atuando em escritórios da GE em diversos países. Cerca de 20% dos trainees vivenciam esse tipo de experiência, que pode garantir uma promoção no retorno ao Brasil. Esse modelo também é aplicado para profissionais mais experientes, principalmente nas áreas comercial e de RH, e pode gerar um convite permanentemente em outro país.

Este é o caso da gerente de RH Taís Martinez que, depois de três anos na empresa, foi enviada ao México. Oito meses depois, a executiva se mudou para outra cidade, ainda em solo mexicano, onde ficou outros oito meses antes de ser transferida para os Estados Unidos. Atualmente no escritório da GE em Fairfield, Connecticut, ela continua fazendo planos. "Pretendo voltar a trabalhar na América Latina quando for possível", diz.

Na Souza Cruz, as opções de expatriação também oferecem pacotes flexíveis. De acordo com Elaine Turra, gerente de RH, os projetos de até um ano são mais simples e normalmente voltados a executivos de nível gerencial em início de carreira. No caso de programas mais longos, os profissionais, normalmente gerentes seniores ou diretores, os benefícios são maiores. "Nesse caso, o executivo não precisa necessariamente voltar ao país de origem. O importante é que ele manifeste esse desejo e se encaixe dentro do plano de carreira que foi estabelecido."

Fonseca, da Emdoc, tem visto crescer o interesse das empresas por programas de expatriação de curto e médio prazo, com duração de até um ano e meio. "O momento vivido pelo Brasil faz com que as companhias tenham pressa em qualificar e trazer seus talentos de volta. Os profissionais também valorizam programas curtos, pois não precisam levar a família e nem perder o vínculo com o país", afirma.

Outra mudança nos projetos de expatriação das empresas, segundo ele, é a inclusão de jovens talentos. "Desde 2009, aumentou muito a opção por treinar profissionais com dois ou três anos de experiência. Hoje elas não esperam mais para treinar os colaboradores que se destacam." (VS)