Nem todo profissional 'estrela' é transferível", diz Boris Groysberg

Por Letícia Arcoverde | Valor SÃO PAULO

Para escrever o best-seller “Chasing stars: the myth of talent and the portability of performance”, Boris Groysberg,  professor do programa de gestão de talentos da escola de negócios de Harvard, observou a adaptação de profissionais considerados estrelas que mudaram de empresa. Com seus estudos, chegou à conclusão de que é preciso analisar mais do que apenas competências na hora de contratar externamente. Em palestra realizada hoje no HSM ExpoManagement, em São Paulo, Groysberg apontou os principais erros cometidos pelas companhias na busca por profissionais qualificados. “A guerra por talentos que domina o ambiente corporativo atual, em especial o brasileiro, não deve distrair as empresas do fato de que nem todo profissional ‘estrela’ é transferível”, afirma Groysberg.

Segundo o especialista, muitos dos executivos que mudaram de companhia tiveram problemas de adaptação que resultaram em um período de até cinco anos de baixa performance. Além disso, ele descobriu que 66% das estrelas contratadas por novas firmas trocaram novamente de emprego.

Groysberg explica que isso acontece porque há talentos transferíveis e não-transferíveis. “Um profissional com grandes habilidades técnicas pode ser bem-sucedido no cargo independente da empresa, mas alguém cuja melhor característica é o bom relacionamento com os colegas ou o entendimento do negócio, não.” O professor afirma ainda que há cargos que precisam ser ocupados por pessoal interno. É o caso da função de diretor operacional, para a qual é essencial conhecer os processos da empresa a fundo. “Há companhias que possuem culturas únicas e o sucesso de um profissional em determinado cargo geralmente está atrelado a ela”, explica.

Ele também apontou os principais erros cometidos pelos executivos na hora de mudar de emprego. Além de não pesquisar o suficiente sobre o trabalho em perspectiva, as principais falhas são aceitar a oferta apenas porque ela oferece uma remuneração melhor ou por querer deixar a empresa atual mais do que fazer parte da nova, superestimar o próprio potencial e pensar apenas no curto prazo, não levando em conta a progressão da carreira no futuro.

As mulheres, segundo a pesquisa de Groysberg, costumam tomar melhores decisões quando o assunto é mudança de emprego. Ele diz que as executivas refletem mais do que os homens antes de aceitar uma oferta de trabalho, além de darem atenção a aspectos como cultura organizacional e ambiente, e não só remuneração. “Elas demoram mais do que os homens para tomar a decisão de mudar de companhia, mas geralmente escolhem certo”, afirma.

Isso explica, em parte, porque a perda de performance no período logo após a troca de emprego é menor entre as mulheres. Groysberg ressalta também que as executivas consideradas “estrelas”, justamente por existirem em menor quantidade, estão acostumadas a batalhar mais arduamente pelo sucesso que os homens e geralmente fazem isso sem depender tanto do relacionamentos com os colegas de trabalho. “É mais comum que as mulheres mantenham contato com profissionais externos, o que facilita a adaptação após a troca de companhia”, completa.

 

Autora: Letícia Arcoverde 

Fonte: Site Valor Econômico