O que faço se meu chefe me deixou para trás? Gilberto Guimarães responde Trabalho há cinco anos na mesma empresa e já fui promovida duas vezes. Sempre contei com o apoio do meu chefe. Temos um bom relacionamento e posso dizer que sempre fui seu braço direito. Há dois meses, porém, ele foi promovido e, ao invés de me chamar para continuar atuando ao seu lado em um cargo mais alto, preferiu contratar alguém de fora. Estou desmotivada com o que aconteceu porque me sinto qualificada e poderia ter ocupado essa vaga. Ao mesmo tempo, gosto da empresa e não queria sair. O que devo fazer? Coordenadora de TI, 32 anos: Resposta: Você tem razão em estar decepcionada. Não é fácil achar que não foi reconhecida e valorizada. No entanto, não há razão para você criar expectativas tão pessimistas. Talvez as razões da escolha de seu chefe tenham sido específicas e temporárias. Quando foi promovido para o novo cargo, além de assumir novos desafios, ele deve ter assumido novos acordos informais. Muito provavelmente ele não deve ter podido levar agora a antiga equipe para a nova posição. Acredito que mais cedo ou mais tarde ele vai te chamar de novo para perto e restabelecer a parceria. Trocar de empresa não parece ser a melhor alternativa para você. Mais que um emprego, nessa companhia você tem uma parceria com seu chefe, faz parte de um time. Isso é muito importante. O sucesso depende muito do que os outros podem fazer por você. Não há história de sucesso de uma pessoa só. Bill Gates e Paul Allen, Steve Jobs e Wozniak, Lennon e McCartney, Pelé e Coutinho, e assim por diante. Por trás de uma pessoa de sucesso tem sempre uma grande parceria que o complementa. Não há história de sucesso de um profissional admirado que não esteja fortemente associada à existência de parceiros que o complementavam. A escolha de pessoas adequadas como parceiras é fundamental. O bom par é aquele que forma com você a equipe vencedora. É aquele que te complementa. São pessoas com habilidades, competências e, sobretudo, com comportamento, personalidade e motivação que acrescentam algo a mais às nossas forças. Para ter sucesso você deve se aliar com um parceiro adequado. Definir o que você gosta e o que não gosta de fazer, e que, portanto, alguém vai ter de fazer por você. Definir aquilo que é essencial para o sucesso do seu projeto profissional, fazendo uma lista das atividades essenciais para o que você imaginou e, depois, uma lista das competências e das preferências essenciais. Com isso, você verá quais as que você já tem e as que você ainda precisa ter. Precisar ter não necessariamente significa desenvolver, mas arranjar um parceiro que faça. Se você é impulsivo, precisa de alguém persistente. Se você não é criativo, precisa de alguém com criatividade, desde que isso seja essencial para aquilo que você planeja fazer. Se você não é muito organizado, precisa de alguém que cuide de todos os detalhes e assim por diante. Não é tão complicado. Só exige muita humildade. É difícil aceitar dividir os méritos e o reconhecimento e, muitas vezes, aceitar ser o "outro", o segundo, o menos famoso. Para facilitar esse processo de encontrar e formar boas parcerias, você deve estar sempre ao lado de pessoas vencedoras, frequentando o ambiente dos vencedores. Você tem que ter a humildade de aceitar se sentir o menor entre os grandes e não pretender ser o grande entre os pequenos. Se você frequentar um ambiente de pessoas vencedoras, inteligentes e bem-sucedidas, a probabilidade de se relacionar e se aliar a uma pessoa vencedora, inteligente e bem-sucedida é muito maior. O sucesso é a consequência. Gilberto Guimarães é diretor do MBA em liderança e gestão de pessoas da Business School São Paulo e presidente da multinacional francesa BPI no Brasil


