Queima o filme deixar de ir à festa da firma?
Gilberto Guimarães responde
Todo ano minha empresa realiza uma grande festa para comemorar o fim de ano e o presidente aproveita para anunciar os resultados e as próximas metas. Meu chefe já disse que a presença da equipe é importante. Desta vez, porém, a data coincide com a folga de uma semana que eu havia solicitado com muita antecedência. Se eu for ao evento, não conseguirei viajar e fazer o que havia programado com a família. No entanto, sei que a presença na festa é valorizada pelos diretores e tenho medo de me prejudicar faltando. O que fazer?
Supervisor, 37 anos:
Resposta:
Família ou trabalho? Trabalho ou lazer? Prazer ou obrigação? O que vem primeiro? Essas dúvidas são eternas. Não existe uma boa resposta que sirva para todos e para todas as circunstâncias. A pergunta talvez seja outra. Qual o sentido do trabalho?
Na nossa cultura, trabalho é castigo. Fomos expulsos do paraíso com a ameaça "terás que ganhar a vida com o suor do teu rosto". No entanto, trabalho é mais do que "ganhar a vida". É fazer o que se sabe, sentir-se útil, desenvolver autoestima, organizar o tempo, conviver socialmente, entre outras coisas.
Não é a festa que importa e sim o que vão pensar de você. Caso a empresa seja pequena, sua ausência será notada e talvez criticada. Caso ela seja grande, é possível que ninguém perceba que você não foi. No mundo político e social, o importante não é o fato e sim a percepção do fato. Em sociedade, o importante é parecer ser o que esperam que você seja. O que se espera de você no trabalho?
Ir ou não a uma festa de fim de ano é uma decisão que depende basicamente da maneira como você encara o seu trabalho. Por qual razão você trabalha? Existem três possibilidades de resposta. A primeira; porque a empresa lhe garante o salário. A segunda; porque você está fazendo carreira e tem expectativas para o futuro. A terceira; porque tem prazer e fazer o que você faz é sua vocação. A diferença entre as alternativas é o significado que você dá ao trabalho.
Se sua resposta foi a primeira, ou seja, trabalho é emprego, não há motivo para você sacrificar as férias com a família. Seu emprego não corre riscos. Nunca soube de ninguém que tenha sido demitido por não ter ido a uma festa de fim de ano. Ao contrário. Conheço gente que perdeu o emprego porque foi à festa. Comeu demais, bebeu demais, falou demais, bagunçou. Festa na empresa ainda é trabalho e não diversão livre e solta entre amigos íntimos. Cuidado.
Caso sua resposta tenha sido a segunda, trabalho é carreira, você deve ir à festa. Sua carreira depende da competência, mas também de seu comportamento pessoal, profissional e social. Você tem que ir e se comportar bem. Seu presidente vai estar lá, disponível e interessado. Você vai ser visto e avaliado. Caso tenha tido bons resultados no ano, provavelmente você vai conseguir impressionar e estabelecer uma relação mais próxima e amigável com a direção. Não perca esta oportunidade. Convença a família a adiar a viagem ou volte antes, sozinho, a tempo de ir à festa. O investimento na carreira vai valer a pena.
Caso sua resposta seja a terceira alternativa, trabalho é vocação, você não tem escolha. Você vai à festa. Nem imagino você saindo de férias em um momento importante como este. O presidente vai aproveitar o evento para anunciar os resultados e as metas para o próximo ano. A festa não será só um momento de confraternização, mas um evento motivador e mobilizador. O futuro estará sendo planejado e construído. Todos juntos. Quando o trabalho é a vocação não existe momento, horário ou cansaço. É prazer, é sucesso. Adie a viagem. Sua família sabe que o trabalho é muito importante para você e vai apoiá-lo.
Gilberto Guimarães é diretor do MBA em liderança e gestão de pessoas da Business School São Paulo e presidente da multinacional francesa BPI no Brasil