Substitutos emergenciais ficam no posto do líder doente. O executivo Glauco Moreno, gerente sênior de soluções da Indra, que lidera uma equipe de 20 pessoas, ficou três semanas afastado por conta de uma cirurgia Algumas empresas já mantêm planos de sucessão para mapear substitutos emergenciais e de longo prazo. "As corporações devem criar estratégias para que, durante o tempo em que o líder ficar fora, todos os projetos possam ter continuidade", explica Teresa Gama, diretora da consultoria Projeto RH. "É importante ter pessoas preparadas para substituí-lo, evitar afastamentos em datas importantes na companhia e manter os programas de sucessão." Para Edenio Nobre, diretor de recursos humanos do BicBanco, se houver a chance de planejar, a melhor época do ano para o funcionário solicitar licença médica é no primeiro bimestre do ano. "Nesse período, acontece um arrefecimento dos negócios no segmento bancário, o que faz com que as operações diminuam." No ano passado, nove funcionários saíram de licença médica na instituição, que tem 1.027 empregados. A sugestão de Nobre para os executivos é que estruturem sua saída. "Manter os cronogramas e as programações em dia, além de ter um 'back up' à altura são alguns cuidados para não prejudicar o andamento da área." O prazo ideal para estar fora sem atrapalhar a rotina de trabalho é, segundo o diretor, de no máximo 60 dias- mas isso, é claro, vai depender do problema de saúde do colaborador. O executivo Glauco Moreno, gerente sênior de soluções da Indra, que lidera uma equipe de 20 pessoas, ficou três semanas afastado por conta de uma cirurgia. Antes de deixar o escritório da multinacional de tecnologia com 1,2 mil funcionários no Brasil, ele elaborou um plano com a chefia para facilitar o trabalho a distância e orientou a área para dar continuidade ao que já estava sendo realizado. "O processo de preparação para a licença durou cerca de dez dias. A medida evita inconveniente como problemas com clientes e até imprevistos durante o afastamento", afirma. Para Célia Marcondes Ferraz, coordenadora de educação executiva da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o ideal seria que as folgas ocorressem fora dos ciclos de preparação de orçamentos, de lançamentos de produtos ou de ocasiões em que a presença do profissional seja necessária. Ela ressalta, contudo, que nos últimos anos os casos de afastamento por depressão se multiplicaram. "A empresa pode investir na prevenção dessa e de outras doenças, ajudando a identificar problemas e apoiando o funcionário no tratamento." A lista de ações usadas em algumas corporações inclui exames periódicos, ginástica laboral e acompanhamento de patologias crônicas como diabetes e hipertensão. Segundo Célia, no caso de um pedido de licença médica inevitável, nada restará à empresa a não ser garantir a sequência dos serviços. "Há alternativas para cobrir o gestor, como contratações temporárias ou o uso de outras pessoas da equipe para atender demandas", diz. "O chefe também pode assumir as responsabilidades do subordinado e distribuir o trabalho entre os membros do time." A preparação dos substitutos é mais complexa em prazos curtos, segundo o diretor de recursos humanos da Indra, Osvaldo Pires. No ano passado, o executivo enfrentou quatro casos de afastamento no quadro de funcionários e, neste ano, já teve duas solicitações de licença. "Estabelecemos um plano de delegação e acompanhamento de tarefas." Segundo Heloisa Bedicks, superintendente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), as licenças médicas que podem ser programadas devem ser adequadas ao calendário da empresa com o objetivo de não impactar nos negócios. Na Indra, quando é possível planejar as ausências, evita-se os meses de maio e outubro, períodos em que a companhia revisa as metas de orçamento anual. Para José Mário Ferreira, coach do Instituto EcoSocial, da área de desenvolvimento de pessoas, não existe um momento "adequado" para sair, mas há períodos em que "não dá para o executivo pensar em se afastar." A lista inclui, por exemplo, a época de colheita da safra na agroindústria e eventos sazonais como o Natal no varejo. "Evita-se também as licenças quando outra pessoa-chave está afastada, quando uma negociação se aproxima do fechamento ou durante mudanças em que o executivo terá um papel importante." Uma alternativa para evitar sustos é ter colaboradores preparados para assumir postos essenciais. "Isso vale não só para licenças médicas, mas no caso de transferências para outras posições ou países", afirma Teresa Gama, da Projeto RH. De acordo com a especialista, o trabalho em equipe, com profissionais orientados de forma equivalente em relação a conhecimentos técnicos e competências, pode facilitar o enfrentamento de situações de ausência. "É mais complicado para líderes em funções estratégicas, mas é fundamental que o executivo tenha substitutos preparados para conduzir o trabalho sem a sua presença." Quando o gestor vai tirar licença, ele deve informar previamente fornecedores e parceiros, ressalta Luciana Leão, diretora de recursos humanos da Allis, especializada em gestão de pessoas. "Direcione os contatos para o substituto durante esse período para que atividades externas não sejam prejudicadas", diz. "O cuidado deve ser redobrado com clientes para evitar a sensação de abandono." Na Tivit, empresa de TI, uma das iniciativas para garantir a continuidade dos projetos é um plano sucessório, criado há quase três anos para mapear e definir substitutos emergenciais e de longo prazo para mais de 150 posições. "Isso permite apoiar o colaborador na licença, mesmo quando o afastamento não é planejado", afirma Marcello Zappia, diretor de desenvolvimento humano da Tivit, com 26 mil empregados no Brasil. Além disso, práticas em governança de TI também são usadas por Zappia para afastar o medo das faltas de última hora. "Com processos rígidos, documentados e testados com frequência, é possível que um funcionário se ausente e outro assuma suas atividades sabendo exatamente o que fazer para que o trabalho não seja interrompido."
Em posições de liderança, uma saída temporária por conta de uma licença médica não planejada pode travar projetos, incomodar clientes importantes e deixar áreas inteiras à deriva. Para evitar problemas durante o afastamento dos gestores, especialistas em recursos humanos recomendam, quando possível, avisar a equipe com antecedência e treinar subordinados para não atrapalhar o fluxo de trabalho.


