Vale acerta acordo com salário especial Amanhã, Ferreira vai se reunir com os dirigentes dos 14 sindicatos que representam os 60 mil trabalhadores da Vale no Brasil. Trata-se de encontro inédito na história da empresa. Para Paulo Soares, do sindicato Metabase de Itabira, porém, a expectativa dos empregados da Vale é positiva em relação à reunião, pois o acordo recém assinado veio amenizar um clima de insatisfação que existia há algum tempo entre "o pessoal que trabalha no chão das minas da Vale". Soares não crê que a remuneração extra possa garantir que os trabalhadores fiquem na empresa, pois têm recebido ofertas maiores dos concorrentes. Para ele, o importante é a companhia ter um plano de carreira para os trabalhadores recuperarem as perdas salariais que tiveram nos últimos dez anos, o que rebaixou os ganhos dos empregados do setor extrativo. "Este é um ponto que queremos conversar com o presidente", enfatizou. O novo acordo coletivo dos próximos dois anos, prevê, além do prêmio para os empregados que se comprometerem com a empresa no longo prazo, um reajuste de 8,6% em 2011 e 8% em 2012, além de um abono de R$ 1.400 e um aumento no percentual pago no plano de saúde e no auxílio à educação, que subiu de 60% para 85%. Os termos negociados foram bem-recebidos por Raimundo Nonato Alves de Amorim, presidente do sindicato Metabase de Carajás, que reúne mais de 7 mil trabalhadores. Amorim disse que na sua base sindical não há movimento de saída de empregados da Vale e relatou que os funcionários ficaram muito satisfeitos com o acordo coletivo acertado com a companhia, cujos termos, segundo informaram, tiveram aprovação de 100% da assembleia convocada pelo sindicato. O sindicalista ainda não conhece o novo presidente da Vale e disse que irá ao encontro para "conhecer o pensamento dele". A ideia de negociar com Ferreira um plano de carreira para garantir remunerações melhores para os funcionários da Vale é bem-vista entre os empregados. Antes do acordo coletivo recém-firmado, que entrará em vigor em novembro, o salário médio pago pela empresa para o setor extrativo era de R$ 1.770,00. Os mecânicos e eletricistas com mais de 25 anos de casa recebem o salário mais alto, de R$ 2.300. A menor remuneração é de R$ 1.070. O movimento de saída de empregados da Vale para outras companhias, principalmente em Minas Gerais, é estimulado por propostas de ganhos melhores da parte de mineradoras novas e de outras compradas por siderúrgicas como a J Mendes, no início de 2008 pela Usiminas. Dentre outras companhias que têm avançado sobre funcionários da Vale está a Namisa, controlada da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), e a própria siderúrgica, para suas operações da mina Casa de Pedra. A empresa tem perdido quadro também para a Anglo American, mineradora sul-africana que deverá entrar em operação em 2013. Tais informações, porém, são desmentidas pela Vale. Segundo a Vale, o índice de demissão voluntária na empresa é muito baixo, menos de 0,1% por mês do total de 60 mil empregados e permanece estável ao longo dos anos. O índice de 0,1% por mês de demissão voluntária equivale a saída de 53 pessoas por mês, contra 70 saídas mensais, segundo fontes do mercado de mineração. A reunião convocada por Ferreira impressionou bem os sindicalistas, pois é a primeira vez que um presidente da Vale convida representantes dos trabalhadores para conversar. O executivo tem ido às minas, conversado com os empregados e "anotado", segundo fontes. Recentes declarações do executivo tais como "o diálogo é o melhor caminho para o entendimento" e de que "antes de demitir tem que cortar jatinho" tem levado os trabalhadores a simpatizar com ele e a apostar numa melhora das relaçoes trabalhistas dentro da Vale.
Por Vera Saavedra Durão - Valor Online
A Vale, na gestão de Murilo Ferreira, que assumiu o comando da empresa em maio, adotou uma política agressiva de remuneração para reter empregados assediados por concorrentes. Este mês, a companhia fechou um acordo coletivo com os trabalhadores considerado o melhor dos últimos 20 anos por representantes do movimento sindical ligado à mineradora de ferro e metais não ferrosos. O acordo prevê um pagamento especial - uma espécie de prêmio - de 1,7 salário para os empregados que continuarem trabalhando na empresa nos próximos dois anos.


