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Campo fértil para os pequenos negócios

Adriana Aguilar, para o Valor, de São Paulo
   
A todo instante, pequenos negócios nascem para explorar nichos específicos na dinâmica cidade de São Paulo, estimulada pela sua diversidade social e cultural. A predisposição do paulistano pelo novo faz da cidade um campo fértil para as pequenas empresas com projetos inovadores. Mesmo as padarias, bares, lojas, hotéis ou outros estabelecimentos tradicionais não esgotam o potencial da cidade. Há público para tudo. Basta chegar a ele corretamente. No que depender do crescimento da economia, o mundo de oportunidades para os pequenos empresários continuará em expansão, pelo menos, até 2015, segundo estudo feito pelo Sebrae -SP.

"Em 2015, a expectativa é de que haja 8,7 milhões de pequenos negócios no Brasil, acompanhando um crescimento médio anual de 4% da economia ", diz o economista e consultor do Sebrae-SP, Pedro João Gonçalves que participou da elaboração do estudo "Cenários para as MPEs no Brasil 2009-2015". Isso significa que, na Região Metropolitana da Grande São Paulo, o número de empreendimentos de menor porte vai crescer de 1,1 milhão para 1,5 milhão.

O estudo do Sebrae-SP projeta 6,6 milhões de pequenas empresas formalizadas em 2010, ou seja, um negócio por 29 habitantes. Para 2015, a estimativa é de 8,7 milhões de micro e pequenos empreendimentos - um a cada 24 habitantes, níveis atuais da França e da Alemanha.

Em cinco anos, haverá mais empresas de comércio e serviços, em detrimento das indústrias. Atualmente, 32% dos negócios de menor porte estão no setor de serviços. "Os altos custos com tributação, logística, mão de obra sofisticada, deixam a cidade pouco atrativa para as indústrias, enquanto os prestadores de serviços e comerciantes estão em franco crescimento", diz o coordenador do centro de empreendedorismo do Insper (ex-Ibmec SP), Marcos Hashimoto.

A internet- indicativo de modernidade e necessidade - já é a terceira fonte mais utilizada pelas micro e pequenas empresas para informações relacionadas ao próprio negócio, só perdendo para os contadores ou notícias recebidas por pessoas do ramo. O acesso entre as pequenas empresas cresceu dez vezes, de 7% em 1998 para 71% em 2008. "O fenômeno é explicado, talvez, pelo baixo custo do acesso a internet", diz Gonçalves.

Os negócios pela internet podem ser iniciados com um capital menor. E, no Brasil, ainda há boas oportunidades para as pequenas empresas nessa área, com o aparecimento de grandes portais e a segmentação - saúde, pet shop, vinhos, entre outros - avalia Lucas Melman, gerente de expansão da Endeavor, organização que ajuda os empreendedores a acelerar o crescimento de suas empresas.

Melman explica que só o fato do Estado de São Paulo concentrar grandes empresas já representa uma oportunidade para as pequenas empresas atuarem como fornecedoras nas cadeias, ganhando representatividade no país todo. "O setor de varejo, apesar de ser bem explorado em São Paulo, continua atrativo devido ao aumento do número de shopping centers. Também há muitas oportunidades no setor de crédito", afirma.

O estudo aponta uma tendência de maior grau de instrução entre os empreendedores. Em 2015, o dono do negócio terá, em média, 10,7 anos de escolaridade em comparação a 9,4 anos verificados hoje. O número de mulheres empreendedoras também deve aumentar. "Estamos encerrando a geração que foi educada para seguir a carreira em uma multinacional e que enxergava o empreendedorismo como decorrência de uma demissão. Para a nova geração, o empreendedorismo representa uma carreira", diz Hashimoto. O Brasil ainda é mais conservador que os Estados Unidos no empreendedorismo, no entanto, tem evoluído.

Hashimoto explica que 80% dos alunos da sala de aulas do Insper querem ter um negócio próprio. Mas, primeiramente, pretendem passar por grandes empresas para adquirir experiência. Foi o que aconteceu com alguns dos empresários que iniciaram as atividades na cidade e, ao longo dos anos, expandiram as vendas para todo país, cujas histórias estão nesta página.

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