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A competência pra lá de especial das pessoas com deficiência (PCD)Por Carolina Mouta Para Deise Fernandes, de 53 anos, a deficiência visual nunca foi um obstáculo. A consultora de Recursos Humanos trabalha em uma fornecedora de energia elétrica de São Paulo, onde sua trajetória profissional começou. De estagiária à chefe de equipe, lá se vão 28 anos de muita dedicação. E competência. Formada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Deise possui nove especializações e diz que para subir na vida é preciso estudar e estar atualizado. Histórias de sucesso e superação das diferenças são muitas. Com a Lei 8213/91, conhecida como Lei de Cotas, foram garantidas vagas a pessoas com deficiência (PCD) dentro das empresas. O artigo 93 diz que "a empresa com cem ou mais funcionários está obrigada a preencher de dois a cinco por cento dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência". Quem não cumpre a legislação está sujeito a multas que variam de R$1.254,89 a R$125.487,95. Só para ter uma idéia, a última estatística realizada pelo Censo, em 2000, constatou que pelo menos nove milhões de trabalhadores eram portadores de algum tipo de deficiência. Sempre será necessário adequar o perfil e as exigências das vagas aos tipos de deficiências de tal forma que, em momento algum, a pessoa se sinta discriminada ou preterida. Outra boa notícia é que as organizações estão mais conscientes e contratam estes colaboradores não porque são obrigadas, mas por se preocuparem com a inclusão. Com isso, o número de vagas cresce a cada ano - graças também à fiscalização feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo dados do órgão, entre janeiro e setembro de 2008, 23.079 PCD ingressaram no mercado de trabalho. Comparado ao mesmo período ano anterior, houve um aumento de mais de 7.600 vagas. Mas não pense que, com isso, o preconceito se extinguiu. "Em menor ou maior grau, ele sempre existe", analisa Tânia Bueno, consultora de Recursos Humanos da CS4 Consultoria. É bom esclarecer que pessoas com deficiências podem exercer qualquer atividade, desde que sejam respeitadas as limitações. "Sempre será necessário adequar o perfil e as exigências das vagas aos tipos de deficiências de tal forma que, em momento algum, a pessoa se sinta discriminada ou preterida. É necessário que todos focalizem a potencialidade de cada um e não nas restrições", pondera Tânia Bueno.
Algumas vezes, pessoas com deficiência têm qualidades mais destacadas. "Na Natura, no picking (uma espécie de separação de mercadorias) existem mais de cem PCD auditivos. Como estes profissionais não têm o sentido da audição, então têm o visual bastante apurado. Além de não se distraírem com os ruídos do entorno, eles não deixam passar praticamente nenhum produto errado, identificam rapidamente pelas cores, formas e conteúdos", conta Tânia. Já as pessoas com deficiência visual, segundo a consultora, têm mais paciência e senso de ajuda e solidariedade. "Eles têm grande poder de concentração e se recordam de um número muito considerável de informações", destaca. É muito importante que a empresa contratante tenha organização para receber as PCD.
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