Devo entrar no futebol da firma para aparecer? Gilberto Guimarães responde Meu chefe, que é muito competitivo, mandou um e-mail geral perguntando quem gostaria de representar a empresa em um campeonato de futebol. Ele sugeriu, maldosamente, que os candidatos enviassem um currículo contando suas experiências como jogador. Desta forma, disse que poderia montar o melhor time. Adoro jogar futebol, embora não seja um craque. Sei que, se eu ajudasse o time a vencer, atrairia a atenção e conquistaria a admiração do meu chefe. Hoje, acho que ele nem sabe que eu existo. Meu medo é o que poderia acontecer caso eu acabe jogando mal. Afinal, não iria conseguir encarar meu chefe depois de ter ajudado a afundar o time. O que devo fazer? Resposta:
26/05/2010
Não entre nesse jogo. Você não tem que atrair a atenção do seu chefe dessa forma. Não faz sentido. Carreira não é jogo de dados, não é sorte ou azar. A melhor forma de chamar a atenção na empresa é pela competência, pelo planejamento e pelo atingimento de objetivos.
As empresas têm por hábito criar eventos sociais e esportivos para promover a camaradagem entre os profissionais. Julgam que estão construindo uma nova família. Isso não funciona. Em primeiro lugar, da minha família eu faço parte para sempre, querendo ou não. Do meu emprego, faço parte somente enquanto estou empregado, querendo ou não. Além disso, mesmo em família as pessoas devem se preservar e evitar conflitos. Almoço de domingo na casa da sogra também é família. Cunhado que passa da conta na cerveja, ronca e baba na gravata depois do almoço também é família. "Tô fora". Na empresa, quanto mais profissional melhor.
Em um jogo, mesmo de brincadeira, é natural que as pessoas disputem e lutem pela vitória. O derrotado sempre sai nervoso e inconformado, buscando culpados pela derrota- o azar, o juiz, o goleiro, o Dunga. Imagine, então, no caso de um chefe prepotente e competitivo. Não entre nesse jogo, mas também não diga simplesmente "não". Culpe um joelho eternamente machucado ou arranje um compromisso inadiável com sua real família. Dê uma passada antes do jogo, dê um alô geral, deseje boa sorte, mas suma antes da vitória ou da derrota. Em eventos sociais da empresa, o importante é justamente não chamar a atenção.
Carreira não é jogo e você não precisa deste tipo de admiração de seu chefe. Ele é só seu chefe e nada além disso.
O que você precisa é reavaliar sua postura profissional. Assim como o mercado, e como tudo no mundo, fazer carreira também sofreu grandes mudanças. Estamos vivendo a sociedade do conhecimento, onde a informação e o conhecimento reduzem a necessidade da importância do capital financeiro. E como são as pessoas que detêm o conhecimento, a regra é a valorização das pessoas. Estes novos tempos pedem novas organizações e, principalmente, novos líderes.
Vivemos em um mundo de especialistas e muito provavelmente os funcionários sabem mais do que seus chefes. Isso exige uma nova organização das pessoas além de líderes mais profissionais, abertos e resilientes.
O novo líder não é quem detém o poder hierárquico, mas quem mobiliza e influencia a equipe a fazer o que deve ser feito. Antigamente, para fazer carreira o mais importante era não errar. Hoje, na luta por novos mercados e com a ênfase em resultados, faz carreira quem resolve, inova e cria soluções vencedoras. E os vencedores sabem que eles têm que mudar a si próprios para que as coisas mudem. É insanidade fazer as coisas do mesmo jeito e esperar resultados diferentes.
Gilberto Guimarães é diretor do MBA em liderança e gestão de pessoas da Business School São Paulo e presidente da multinacional francesa BPI no Brasil


