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Executivos seniores viram conselheiros de alunos

Alina Dizik, Financial Times
  
Décadas após a formatura, alguns executivos estão voltando ao mundo acadêmico. Armados com uma experiência ampla e tempo de sobra depois de se aposentarem de cargos importantes, esses ex-executivos estão ansiosos para oferecer os conhecimentos obtidos no "campo de batalha", que professores não possuem.

Para as escolas de negócios, usar executivos ajuda a proporcionar uma experiência adquirida na vida real às aulas, muitas vezes teóricas demais. Com o mercado de trabalho difícil e uma maior necessidade networking e aconselhamento de carreira, o número de especialistas vem crescendo nas escolas.

No Babson College de Wellesley, Massachusetts, há cerca de 30 executivos trabalhando nessa função. A Columbia Business School viu o número de executivos de seu programa aumentar de 5 em 2002 para 12. Esses executivos têm uma perspectiva mais aguçada sobre o que é preciso para trabalhar em uma empresa exigente. Donald Waite, diretor da Columbia Business School, por exemplo, se aposentou da McKinsey após 35 anos na empresa. Os executivos residentes de Columbia normalmente atuam com mais de 50% da turma que cursa em período integral e estão trabalhando cada vez mais com alunos do programa de EMBA e dos programas de MBA para profissionais mais experientes.

Os executivos vêm de áreas tradicionais como a de consultoria e a bancária, mas recentemente também começaram a aparecer de áreas como saúde e mídia. Mark Zurack, que já trabalhou no Goldman Sachs e agora é um executivo residente na Columbia Business School, diz que quando o mercado está difícil, mais estudantes recorrem à ajuda profissional.

O aconselhamento de carreira realista é também centro das atenções da Booth School of Business da Universidade de Chicago e do Arizona Eller College of Management. No último ano, as duas escolas contrataram executivos que trabalham principalmente com o departamento de gerenciamento de carreiras. Daniel Bens, reitor associado do Arizona Eller College e diretor dos programas de MBA, diz que "a estratégia é tirar vantagem e tentar alavancar muito mais nossos alunos do que vínhamos fazendo", acrescentando que os estudantes podem interagir com os executivos com base em seus interesses de carreira. Como o foco dos alunos se voltou para áreas como a administração de organizações sem fins lucrativos, empreendedorismo e empreendimentos sociais, executivos como esses estão ajudando a guiá-los por esses caminhos menos conhecidos.

A London Business School tem cinco executivos residentes que oferecem aconselhamento de carreira e trabalham com a escola para ampliar seus laços com o mundo corporativo. Eles ajudam "conectando os estudantes diretamente com o mundo dos negócios em Londres", diz Randall Peterson, vice-reitor da faculdade.

O programa Empresário Residente da Harvard Business School, junta empresários de sucesso a alunos interessados em uma carreira empresarial. Desde seu início, há cinco anos, o programa passou de um empresário residente para quatro. O empreendedorismo é "uma estrada difícil para os estudantes", afirma o diretor Michael Roberts, fazendo uma comparação com caminhos mais típicos como o da consultoria ou finanças. Muitos dos executivos também são colocados em contato com o corpo docente para ajudar a desenvolver estudos de casos baseados em suas experiências prévias.

Na Kellogg School of Management da Northwestern University, o programa Beacon Capital Partners Executive in Residence do Centro de Administração Sem Fins Lucrativos coloca estudantes em contato com profissionais no ambiente de trabalho. No ano passado, o ex-aluno John Wood, um ex-executivo da Microsoft e fundador da Room to Read, uma organização sem fins lucrativos, visitou a escola, dando aos alunos a chance de interagir com uma pessoa que havia percorrido uma carreira menos tradicional.

Para os executivos, compartilhar as lições que aprenderam no mundo dos negócios é uma experiência gratificante. No IMD, Kees van der Graaf tornou-se executivo residente para trabalhar em um projeto de pesquisa com um membro do corpo docente. Após uma aposentadoria prematura, o ex-executivo da Unilever agora passa dois dias por semana pesquisando maneiras que permitam a executivos-chefes de empresas evitarem o esgotamento e a desempenharem melhor suas funções.

Ele também ministra cursos de formação de executivos. "Descobri tarde em minha carreira que você não precisa se transformar em um workaholic com olhos apenas para o trabalho." Com um equilíbrio entre a vida particular e o trabalho ganhando cada vez mais destaque, muitos executivos residentes anseiam por compartilhar suas experiências e de certa forma devolver algo para as escolas de negócios que os formaram. "Ninguém ganha dinheiro, o único benefício que temos é uma vaga no estacionamento", acrescenta Waite.

Quando os alunos das faculdades de administração pedem conselhos sobre a carreira a Jeffrey Walker , ele não os encaminha apenas para a área de private equity, onde passou a maior parte de sua carreira. Em vez disso, Walker, que se aposentou pela JP Morgan Partners há mais de dois anos e hoje é um empresário residente do Arthur Rock Center for Entrepreneurship da Harvard Business School, questiona os objetivos desses alunos. "Eu os faço pensar duas vezes nos motivos de suas escolhas", afirma Walker, que hoje se concentra no empreendedorismo social. Ele está ministrando um curso sobre o uso de habilidades de private equity no universo dos negócios sem fins lucrativos e também está aconselhando estudantes que estão desenvolvendo seus próprios planos de negócios.

(Tradução de Mario Zamarian)

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