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Executivos fazem parte de pequeno time de eliteMarleine Cohen, para o Valor, de São Paulo Uma nata de executivos familiarizados com a atividade, seja por uma questão de DNA, seja porque se prepararam para ela no dia a dia ou com um MBA. Esta é a primeira referência dos profissionais aptos a capitanear um shopping center no Brasil. Integrantes de um seleto grupo de empresários caçados a laço pelo mercado, devem reunir um sem-número de habilidades, dentre elas a ousadia, "a mais importante", segundo Arlindo Felipe Júnior, headhunter e diretor executivo do Grupo Soma. "Ousadia é a palavra. Inovação, estratégia: quem ocupa o cargo, deve ter uma visão de mercado abrangente, pois está lidando com o cliente do seu cliente", define o caçador de talentos da Soma, lembrando que "o varejo é hoje um campo de trabalho extremamente frenético". Mas se o mercado conta na ponta dos dedos o número de profissionais gabaritados para exercer a função, o perfil exigido para o cargo não é menos exigente: "Esta pessoa geralmente tem em média 40 a 50 anos - isto é, já acumula uma boa experiência, dentro ou fora do varejo, mas ainda tem muito gás para queimar" -, esboça Arlindo Felipe. "E o MBA é condição sine qua non." Provavelmente oriundo de um curso de administração, marketing ou engenharia, esse executivo ainda pode pertencer à família dos primeiros empreendedores que investiram na indústria brasileira do shopping center, a partir dos anos 60; entenda-se os Almeida Júnior, os Malzoni, os Rique ou os Jereissati, entre outros , ou, quem sabe, sair de um agregado de cursos de aperfeiçoamento, como o MBA em gestão de shopping centers, oferecido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre 2004 e 2006. De uma forma ou de outra, a capacitação destes managers, segundo pesquisa realizada em outubro último pela PriceWaterhouseCoopers em parceria com a Abrasce, aponta para um nível de qualificação bastante diferenciado: de acordo com o levantamento da PWC, que ganhou o nome de Pesquisa de Política e Prática de Gestão de Pessoas em Shopping Centers, numa amostra de 94 empreendimentos distribuídos por todo o país, 70% dos executivos e 52% dos gestores - isto é, os profissionais em cargos de superintendência e gerência que têm função de liderança e respondem diretamente aos executivos - têm curso de pós-graduação, mestrado ou doutorado. Numa categoria de terceiro escalão, a de coordenadores/supervisores, respectivamente 15% e 47% dos trabalhadores com perfil mais técnico, mas ainda com responsabilidades de gestão e liderança e atribuições desenvolvidas em equipe, têm curso de pós-graduação e formação superior. "O aspecto surpreendente deste levantamento é que o nível da força de trabalho já é bastante qualificado. Praticamente todos eles têm curso superior e pós-graduação ou MBA", considera João Lins, sócio da PWC e professor da Fundação Getúlio Vargas, para quem "o crescimento da indústria dos shoppings centers no Brasil, mas também a entrada de grandes investidores estrangeiros no país, só vieram acirrar a concorrência e estimular a profissionalização do setor". Hoje, João Lins cita como exemplos que as obrigações legais da atividade são enormes, seja do ponto de vista ambiental ou de responsabilidade social. Além disso -outro aspecto relevante-, é preciso estar preparado para enfrentar a dinâmica do mercado de varejo, muito volátil e sensível a qualquer pequena mudança, e manter um mix atrativo que permita sobreviver em meio a tantos concorrentes de peso. Por isso, de acordo com Lúcio Cordovil de Macedo, ex-coordenador acadêmico do MBA gestão de shopping centers da FGV-Abrasce, o "perfil do gestor deste tipo de empreendimento é o de um generalista". Além de reunir habilidades nas cinco grandes linhas de conhecimento que constituiam o conteúdo do curso oferecido anos atrás -operação, marketing, ciências jurídica, financeira e comercial-, "ainda precisa ter bom trânsito na área de gestão de pessoas (Relações humanas) e uma visão da função social de um grande centro de convivência como é o shopping center, com suas múltiplas opções de entretenimento, recreação e atividades socioculturais". Oferecido a partir de 2004, concomitantemente à entrada do capital estrangeiro na indústria de shoppings, o MBA da FGV, segundo Lúcio Cordovil, três turmas no Rio de Janeiro. "Colocamos no mercado 70 executivos, muitos dos quais representando uma segunda geração dos empreendedores pioneiros no setor ou superintendentes já em atividade, mas que vinham de outros cursos, em geral engenharia", explica Macedo. Em São Paulo, com demanda mais restrita, o curso só teve duração de um ano, em 2006. Hoje, ainda de acordo com o seu ex-coordenador, está desativado, uma vez que "a Abrasce decidiu abraçar por conta própria o projeto, mas tudo indica que deverá ser reativado em breve". Se hoje em dia já é difícil encontrar profissionais devidamente preparados para comandar as minicidades em que se transformaram os shoppings centers em todas as grandes capitais brasileiras, o que dizer do futuro do setor sem o reforço de novos quadros capacitados no universo acadêmico, se as universidades não despejam no mercado novas safras de experts em quantidade suficiente para atender à tanta demanda? Para fundamentar a preocupação, basta dar uma olhada nas novas tendências para o setor: segundo a Abrasce, até junho último, existiam em todo o Brasil 385 empreendimentos em operação, totalizando 8,9 milhões de metros quadrados de área bruta locável (ABL) com um fluxo médio de visitas de 325 milhões de pessoas por mês. Desse total, oito prédios foram inaugurados no primeiro semestre. Até o fim do ano, outros sete devem entrar em funcionamento. Para 2010, prevê-se que sejam abertos ao público pelo menos mais oito shoppings em distintos pontos do território nacional.
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