Um hábito, sinônimo de prazer MARÍLIA ALMEIDA - JORNAL DA TARDE O cafezinho no ambiente de trabalho não é, necessariamente, um vício, mas, na maioria das vezes, um hábito que pode ter como objetivo, além do simples prazer de apreciar a bebida, a integração com outros funcionários da empresa. É o que conclui a pesquisa da consultoria de recursos humanos Robert Half, feita com 190 profissionais em abril e maio. São analistas, supervisores, gerentes e diretores de empresas de segmentos como tecnologia, contabilidade e financeiro. A pesquisa mostra que 81% dos profissionais tomam café, a maioria todos os dias, inclusive aos fins de semana, duas a três vezes ao dia. Enquanto 64% têm o hábito de consumir a bebida por prazer, outros o usam como estratégia para afastar o sono (11%) ou fazer uma pausa no trabalho (11%). O número dos que buscam na bebida uma fonte para ter mais concentração sobe para 19% entre profissionais em começo de carreira. Na avaliação dos entrevistados, a pausa para o cafezinho é um momento para relaxar (55%), mas também de integração (41%). Apenas 5% se consideram um pouco dependentes da bebida. Por isso, Alexandre Arima, gerente de marketing da empresa responsável pelo estudo, verifica como um alerta o fato de que quase a metade (48%) dos entrevistados avaliam o café servido pela empresa como ruim ou que poderia ser melhor. “As empresas devem avaliar se é melhor investir em programas de integração ou melhorar a qualidade de um benefício que atinge o mesmo objetivo”, diz. Para isso, cuidados como colocar o local do cafezinho fora da recepção ou afastado da sala de diretores pode evitar constrangimentos. A pesquisa também mostra que o consumo de café aumenta proporcionalmente à carga horária de trabalho e que profissionais de tecnologia, marketing e vendas são os que mais consomem a bebida. “O primeiro é um trabalho que exige concentração, e os outros oferecem mais situações propícias para o consumo, como reuniões.” Mas é necessário bom senso. “Tudo em demasia não é saudável. O café não pode ser uma ‘bengala’ para suportar situações críticas. Isso pode prejudicar a imagem do funcionário. Alguns chefes se incomodam, outros o julgam como uma pessoa extremamente ansiosa”, explica Jane Souza, consultora de recursos humanos do Grupo Soma. “É seu papel investigar e perguntar o que está acontecendo, pois o funcionário pode começar a ter sinalizações corporais do problema, como dores no estômago.” Deve se tomar cuidado com o tempo que se gasta no cafezinho. “Não só a quantidade, mas o tempo da pausa pode prejudicar a produtividade. Uma pausa de dez minutos três vezes ao dia é o ideal”, considera Arima. E o que fazer quando, durante a crise econômica, a empresa resolve cortar custos com café e passa a cobrar R$ 1,80 pelo expresso?. A assistente de vendas Danielle, 23 anos, preferiu readequar a sua rotina: reduziu as xícaras de cinco para duas por dia. “Afinal, são R$ 3,60 por dia. Tomo por prazer, portanto, prefiro gastar mais a tomar o de máquina, que custa R$ 0,75.” Mas Danielle, que diz tomar café para melhorar a concentração ou para descansar ou para conversar com colegas, passa aperto mesmo nos dias de hora extra, quando chega a trabalhar até a meia-noite. “É um período no qual bebo mais café, mas não posso gastar muito. Acho que o departamento de recursos humanos não pensa no quanto isso (aumento do preço) afeta o funcionário. Deveriam explicar melhor o porquê do aumento, explicar melhor para onde vai essa verba”, indigna-se. O QUE DIZ O PESSOAL 53% tomam café todos os dias, inclusive nos fins de semana, de duas a três vezes por dia 64% apreciam a bebida e a tomam por prazer. Apenas 5% se consideram ‘um pouco dependentes’ 59% consideram a pausa para o café um momento para relaxar, e 45%, uma integração com outras áreas 11% bebem para afastar o sono e para dar uma pausa no trabalho, e 6%, por uma questão de hábito Nossas Considerações Complementares: Hábitos como os descritos na matéria são parte de um conjunto de características as quais chamamos de cultura organizacional. Mapear essas características impacta diretamente no momento de uma fusão, cisão ou criação de uma nova linha de gestão administrativa de uma corporação. Qual é a sua opinião? nós queremos saber ou acesse nosso Blog
Pesquisa da Robert Hall mostra que o hábito do café influi no trabalho, para o bem ou para o mal



