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Com otimismo de volta, consultorias projetam segundo semestre aquecido para novas contratações

por Daniela Iacobucci
 
O ritmo de contratações pelas empresas é um forte indicador de confiança dos agentes econômicos no futuro. E boas notícias sobre a recuperação diante do cenário antes sombrio da crise contribuem para incrementar esse processo. Segundo pesquisa da Mariaca, empresa especializada em gestão de capital humano, desde março há um crescimento na recolocação de executivos nas empresas, aproximando-se do desempenho verificado no primeiro semestre do ano passado, período que antecedeu a crise.
 
Segundo Lúcia Costa, sócia-diretora da consultoria, 60% das contratações estão nas áreas comerciais e de marketing, representando respectivamente 20% e 40%. “Esses números mostram que as empresas estão reforçando seus times em decorrência do aumento das vendas e para fazer frente à concorrência”, explica.
 
Em relação aos segmentos de mercado que mais contratam, a Mariaca citou em sua pesquisa o farmacêutico, com 12% das contratações, seguido pelas empresas de tecnologia da informação e telecomunicações, com 8%, e pela indústria de alimentos, com 7%. A Lopes & Borghi Consultores Associados, especializada em seleção de executivos para a área de tecnologia da Informação, confirma essa percepção. “Estamos muito otimistas”, diz o presidente da empresa, Benedito Borghi.
 
Ele observa que mesmo durante a crise, as empresas que fornecem soluções de tecnologia não deixaram de contratar. “Agora, temos projetos sendo desengavetados para o próximo ano”, assinala. Borghi pontua, porém, que o perfil para recrutamento acrescentou às exigências de competência técnica, a visão estratégica que permite ao profissional estar alinhado com os negócios da empresa.
 
Segundo Vera Sylos, da consultoria Alexander Mann Brasil, ao contrário do que possa parecer, o ano não foi parado, principalmente no segundo trimestre. “Houve apenas uma diminuição no ritmo de contratação”, analisa. De acordo com a consultora, a retenção de investimentos das empresas atingiu áreas como marketing e P&D, que ainda não apresentam grande demanda por novas contratações.
 
A redução de 0,8% do PIB brasileiro no primeiro trimestre, anunciada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em junho passado, foi menor do que o mercado esperava e, também, um dos primeiros sinais de que a crise não tinha o fôlego alardeado meses atrás. No início de julho, outra boa notícia: crescimento das contratações no setor industrial. “O mercado está mais aquecido nas áreas de controle, relacionadas com finanças, e também no setor de construção civil em diversos cargos”, avalia Vera.
 
O Ministério da Fazenda já projeta crescimento da economia de 1% para este ano e coloca os resultados negativos na conta do passado. Jane Souza, consultora do Grupo Soma, acredita que o mercado já conseguiu superar o impacto da crise. “Apesar de apresentar aquecimento, alguns segmentos, como as concessionárias, ainda sentirão os efeitos da crise por dois anos”, estima. Segundo a consultora, as empresas estão estudando com maior cautela os profissionais que deseja contratar. O perfil mais procurado é de profissionais que não tenham conhecimento limitado, apresentem vivência ampla e que possam ser absorvidos por outras áreas da corporação.
 
As consultorias de RH têm grande papel nessa nova etapa. Jane explica que a busca pelos profissionais de recursos humanos tem como objetivo auxiliar as empresas a fazerem uma leitura dos seus profissionais, seja para contratação ou demissão. “As corporações estão mais criteriosas e buscam não só experiência, mas também currículo, pós-graduações, cursos”, alerta a consultora. Para ela, o momento é de reavaliação e os profissionais devem rever sua postura e buscar especializações para conseguirem se manter no mercado de trabalho.