Cega, surda e muda Não adianta negar: fofocar é, sim, prazeroso e, vamos combinar, um esporte que todo mundo pratica. QUESTÃO DE CONFIANÇA O que fazer se um comentário corrosivo como esse chegar até você? O melhor é abafar o caso. “Boatos ninca dever ser passados para a frente, ainda mais se você não souber se veio de fonte segura” diz o especialista em clima organizacional da empresa Grupo Soma. Se a pessoa que acabou de falar mal da outra ainda pedir sua opinião, saia pela tangente dizendo que não conhece bem o “protagonista”. Lembre-se de que o colega de hoje pode ser o chefe de amanhã. Quem a todo momento coloca em pauta historias alheias cria a imagem de não ser confiável – você contaria algo seu para alguém que vive comentando dos outros? Para ter confiança, seja confiável.
Todo mundo ama falar da vida alheia, mas, quando se trata de boatos no trabalho, melhor ficar de fora. Aprenda a diferenciar as fofocas úteis das perigosas
Por Regina Terraz - Revista Gloss
Levantamento realizado de Oxford, na Inglaterra, indica a predileção pelo assunto: a futrica está presente em pelo menos 65% das conversas (considerando-se qualquer tipo de conversa). Falar da vida alheia é uma das formas mais comuns de tentar entender o comportamento humano, inclusive o próprio. Por isso, é natural que as historias se espalhem.
A fofoca do bem, inofensiva, pode até ser benéfica para a carreira. Fofocando, por exemplo, você pode se informar sobre o temperamento do chefe – e aprender a lidar melhor com ele – ou sobre projetos e oportunidades que lhe interessam. É na maledicência que mora o perigo. Veja a diferença: comentar que fulano foi transferido de departamento é uma coisa. Já alimentar o boato de que isso rolou porque ele não seria competente... Melhor não!
Diretor de recursos humanos do laboratório farmacêutico Bristol –Myers Squibb, Aníbal Calbucci conta que um funcionário do alto escalão da empresa encarregado de mudar algumas pessoas de função, desagradou pessoas que não queriam ser transferidas e logo se espalhou a história de que ele seria amante de uma funcionária. “Não tinha um pingo de verdade nisso”, diz Calbucci. “Mas o boato cresceu tanto que tive de orientar os diretores de área a pedir a seus subordinados que parassem com a fofoca”
Por que espalhar uma fofoca é ser alvo dela. E pode acontecer com todo mundo (acredite: há gente invejosa que inventa coisas). Se os comentários sobre você forem leves, ignore-os. Se o estrago for de tamanho médio, a discrição ainda é o melhor remédio. Melhor não responder publicamente às provocações porque, se fizer algum pronunciamento, pode piorar as coisas chamando a atenção a quem nem sabia da fofoca. Uma boa saída é procurar seu chefe e contar sua versão dos fatos. Agora se o boato tomou proporções que colocam em risco seu emprego, então, talvez seja o caso de se posicionar publicamente. Depois passar no RH, claro, e informar oficialmente a empresa sobre o caso.


