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Profissionalização amplia ofertas de cursos na área

Valor Econômico
  
A profissão de relações com investidores é bastante recente no país. Apesar de a função ser exigida por lei para todas as companhias abertas, foi a partir de 2004, com o aumento expressivo dos IPOs, que as empresas começaram a criar uma função específica de RI e correram atrás de profissionais que pudessem assumir exclusivamente esse papel até então acumulado pelos executivos financeiros. O Ibri, entidade que representa os profissionais do setor, conta atualmente com 470 associados, de 125 empresas. "Se pensarmos que existem hoje por volta de 400 companhias de capital aberto, fica claro que ainda existe muito espaço para crescer", diz o diretor da instituição.

Pode-se afirmar que a maioria dos que estão no mercado aprendeu a fazer RI na raça, já que a formação educacional na área ainda engatinha no Brasil. A missão não era simples: no caso das empresas que estavam abrindo capital, o papel dos profissionais que assumiram a posição era construir do zero não somente uma área, mas tomarem conta logo de cara relacionamentos importantes com o mercado. Além disso, havia os casos de companhias que já estavam na bolsa mas que, até então, davam pouca atenção ao relacionamento com os investidores. "Os profissionais apanharam muito na prática. Agora o período está um pouco mais calmo", acredita Marina Mityio Yamamoto, professora do MBA Relações com Investidores da Fipecafi. Para se ter uma ideia de como o mercado é recente, o MBA da Fipecafi foi o primeiro curso de pós-graduação em RI no Brasil, criado em 2001. De lá até hoje, o programa formou em torno de 230 pessoas. No fim do ano passado, a Fundação Getulio Vargas (FGV) também entrou nessa área e lançou seu primeiro curso de RI, coordenado pelo professor William F. Mahoney.

Nos últimos anos, o cerco às boas práticas de governança ficou cada vez mais apertado e a cobrança sobre os RIs só fez aumentar. Graças a essa maior busca pela profissionalização, em 2009 o Ibri conseguiu emplacar dois cursos de curta duração que pretendia lançar há tempos- um deles é o programa de 106 horas lançado em parceria com a Saint Paul Educacional, instituição especializada em cursos da área financeira e negócios. "Nós tentamos em anos anteriores realizar esse curso, mas não conseguimos gente interessada", conta Soares.

O diretor do Ibri também destaca a retomada nas contratações de profissionais de nível mais sênior, como superintendentes e diretores, mas ainda pouca movimentação no nível gerencial e de analistas. "As empresas que estão vindo a mercado precisam de gente mais sênior, não necessariamente de idade, mas de experiência e conhecimento técnico", acrescenta.

O consenso entre os especialistas é que as companhias que realmente tiverem a ambição de serem ativas no mercado de capitais precisarão, sim, de uma estrutura de RI cada vez mais qualificada.

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