Recuo estratégico Jornal Nippo Brasil Por: Cinthia Yumi Perseverança, determinação e muita força de vontade para recomeçar são princípios fundamentais para ex-dekasseguis que desejam recuperar a estabilidade financeira no Brasil. Após anos de ausência no mercado de trabalho do País, as pessoas que estão retornando do Japão precisam ter em mente que, para se estabelecer em território brasileiro, é necessário realizar uma reciclagem profissional e, de acordo com o caso, aceitar cargos mais modestos para custear as despesas emergenciais e os estudos. “Não se trata de um retrocesso, mas sim de um recuo estratégico necessário para que ele possa se atualizar sobre sua área e para que tenha condições de competitividade” explica o consultor especializado em desenvolvimento organizacional de empresas Paulo Ishimaru. Primeiro passo Esse retrocesso temporário foi a estratégia escolhida pela nikkei Helena Hoshiba, 44. Para se estabelecer no Brasil, ela aceitou a função de ajudante-gral em uma lanchonete Helena reconhece que precisará de muito tempo para recuperar a posição profissional anterior à sua estada de oito anos no Japão “Estou desatualizada na minha área. Então, tenho duas opções: fazer cursos de reciclagem profissional, ou começar tudo de novo em uma profissão que seja tendência no mercado de trabalho”, avalia. Na opinião de Ishimaru, gerente-consultivo do Grupo Soma, o raciocínio de Helena está correto, ou seja, a palavra de ordem é atualização profissional. “Nesse caso, ela agiu corretamente. Primeiro, aceitou um trabalho que lhe possibilita honrar os compromissos financeiros. E, com isso, ela planeja investir em cursos de atualização na sua própria área de formação”, analisa. Planejamento Depois de encontrar uma fonte de renda para suprir os gastos emergenciais, é hora de planejar a carreira. Segundo Ishimaru, o mais aconselhável é que o ex-dekassegui invista na antiga carreira, ao invés de iniciar uma nova profissão. “É mais fácil que a pessoa aperfeiçoe o conhecimento que já tem. Mesmo porque uma mudança na carreira provoca uma incoerência no currículo”, explica. Ele ainda enfatiza a importância de estar atento ao nível de dinamismo de cada área profissional. “Há profissões com dinamismo bem maior, como por exemplo as de áreas como Tecnologia da Informação, Importação e Exportação. Nesses casos, talvez seja necessário um maior tempo para a atualização profissional”, diz. Iniciar um network é outro ponto importante para a volta ao mercado de trabalho. “Cultivar e ampliar a rede de contatos é importante em qualquer instancia, seja no Brasil, seja no Japão. Essa rede irá abrir novas oportunidades, ou, no mínimo, trazer informações. Eu, por exemplo, quando retornei ao Brasil, depois de um período de dez anos no Japão, me comprometi a conhecer, ao menos, duas novas pessoas por dia”, conta Takayama. Vale ressaltar que, acima de tudo, os ex-dekassegui devem ter perseverança e seguir firmes em seus objetivos para não decair no movimento pendular”, isto é, essa rotina de ir e vir do Japão, já descrita por alguns estudiosos. “Seria melhor se as pessoas conseguissem se fixar no Brasil, por que o Japão passa por uma situação muito difícil. Ou seja, agora, essa segunda opção, que era o Japão, já não é tão vantajosa assim”, analisa Takayama. UM NOVO CAMINHO Segundo Ishimaru, o mais aconselhável é que o ex-dekassegui invista na antiga carreira. No entanto, há quem prefira seguir um novo caminho para alcançar a estabilidade financeira. Esse é o caso do nikkei Edson Aoki, 45. De volta ao Brasil há um ano, depois de um período de 18 anos no Japão, onde trabalhou com montagem de andaimes para a construção civil, Aoki percebeu que seria difícil retomar os estudos. Então, começou a pesquisar sobre o empreendimento. Como Takayama explicou, esses contatos que Aoki têm feito são fundamentais para a reinserção no mercado de trabalho. No entanto, mais do que contatos, o ex-dekassegui precisará contar com objetividade e determinação para alcançar o sonho. Dicas para a reinserção no mercado de trabalho 1 – Reciclar o conhecimento em sua própria área de formação 2 – Deixar um capital reservado para os primeiros meses de readaptação no Brasil 3 – Aceitar um primeiro emprego, ainda que este seja em nível operacional 4 – Se for o caso, aceitar um cargo mais modesto dentro da própria área de atuação. 5 – Considerar esse aparente retrocesso profissional como um “recuo estratégico” 6 – Cultivar e ampliar a rede de contatos
Para conquistar a estabilidade financeira no Brasil, ex-dekasseguis devem começar com cargos mais modestos
De acordo com o sociólogo Edson Takayama, o ex-dekassegui que tem como objetivo estabelecer-se no Brasil deve se empenhar. “Nunca é tarde para alcançar os sonhos. E qual é a outra saída além de ir atrás deles?”, indaga Takayama
Com um capital considerável, o nikkei deixou-se mover pela paixão pelo futebol. “A idéia é abrir uma escolinha de futebol...Só não sei se aqui ou no Japão. Fiz novos contatos no Brasil que me possibilitaram conhecer melhor esse tipo de negocio e, no Japão, tenho amigos que estão pesquisando os trâmites burocráticos”, conta


