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Sabático Tempo de pensar T e x t o : Thomaz Gomes Carreira consolidada, emprego estável, salário bonificado. O sonho de qualquer profissional. Depois de atingir essas metas, qual é o próximo passo? A resposta pode ser simplesmente “parar”. Pedir as contas, viajar e refletir... Tirar um período sabático. Seja desbravando trilhas ou conhecendo países exóticos, todos os dias mais gente opta por dar um tempo na carreira em busca de autoconhecimento e realização. Todo mundo pode Essa experiência não está restrita a altos executivos. O sabático também serve para quem está no começo da carreira. Jan Heineman, analista de gestão, há dois anos deixou um estágio na consultoria Accenture para embarcar numa viagem de um ano ao redor do mundo, passando por mais de 25 países. “Acho que isso trouxe uma grande renovação na minha vida. Retornei mais maduro, mais preparado para lidar com diversos tipos de situação. Sem dúvida os valores voltam revisados, é um período de reflexão muito grande. Todo mundo ao meu redor disse que eu voltei uma pessoa melhor”, conta Jan. Um mês após retornar, já estava contratado como analista efetivo na consultoria Visagio. “Todo mundo ao meu redor disse que eu voltei uma pessoa melhor” Jan Heineman Adaptação e Ruptura A ruptura pode ser tão intensa que alguns sequer voltam à vida que levavam. É o caso de Sandra Chemin, exvice-presidente da agência de publicidade Ogilvy Interactive e fundadora da Hipermídia. Após o nascimento de Julia, sua primeira filha, Sandra decidiu se afastar do trabalho para curtir a maternidade. Workaholic assumida, teve dificuldade para tirar o pé do acelerador, no que é conhecido como “período de descompressão”. “Existe um processo difícil até você se permitir aproveitar um tempo que, de repente, aparece disponível. Demorei um ano para entrar em outra freqüência, para conseguir tirar um cochilo à tarde sem culpa.” O período de reavaliação de Sandra trouxe à tona um novo projeto, que se tornaria um estilo de vida integral mais tarde: passar alguns meses morando em um barco. Os meses se estenderam por três anos e a ex-publicitária comanda hoje, ao lado do marido Lucas Tauil, o Santapaz, veleiro que realiza expedições e passeios para grupos privados e de executivos. “Passamos a viver uma vida mais simples, com outras prioridades. Queríamos ajudar as pessoas com nossa história, possibilitando seus sonhos e viagens. Daí nasceu a idéia das expedições e passeios no Santapaz, nossa segunda residência.” “Demorei para entrar em outra freqüência e tirar um cochilo à tarde sem culpa” Sandra Chemin O mais conhecido Existem muitos “roteiros” para sabáticos. A escolha depende da história de vida e da personalidade de cada um. Alguns deles se tornaram bastante conhecidos, como o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, percorrido em 1999 por Herbert Steinberg, presidente da consultoria Mesa Corporate Governance. “A primeira vez em que ouvi falar em sabático foi em 1987, quando estava em Chicago, na sede do McDonald’s. Tentava me encontrar com um alto executivo e me falaram que ele estava fora, que voltaria ao final de seis meses. Achei isso muito interessante e desenvolvi um projeto para escrever um livro sobre o assunto. Cheguei à conclusão de que era importante passar por essa experiência antes de falar dela. Nas minhas pesquisas descobri o Caminho de Santiago e decidi que esse seria o meu destino.” Após 34 dias e 800 km vencidos a pé, Herbert concluía a viagem. Rosto barbado, dez quilos a menos. A alteração no visual era apenas um sinal superficial do quanto havia mudado. Voltou ao Brasil decidido a atingir novas metas, com o espírito empreendedor atiçado. “Sem essa experiência dificilmente seria o empresário, professor e profissional que sou hoje. Foi algo transformador. A saída propiciou um crescimento e uma mudança enormes. Decidi empreender mais e não passar vontade.” O retorno O sabático traz mais riscos que oportunidades. A carreira é deixada de lado, o salário pára de entrar, a família pode não entender, os amigos imaginam que você quer virar hippie e viver de brisa. O problema é que não se encontra gente arrependida de ter passado por um. Steinberg alerta: “O retorno para o mercado pode vir acompanhado de um revés financeiro e profissional. No aspecto da relação entre a empresa e o executivo, tudo deve ser bem amarrado, para que não existam expectativas inatingíveis de ambas as partes.” E por que as pessoas fazem o sabático, apesar dos riscos? Eu mesmo, Thomaz, fiz o meu há oito anos. E agora, escrevendo esta reportagem, o motivo ficou claro: a mudança que traz à vida do indivíduo é mais bem-vinda que a preservação de um status no qual se questiona a própriafelicidade. Ninguém volta o mesmo. Mas ninguém imagina o quanto vai mudar. “Sem essa experiência não seria o empresário, professor e profissional que sou hoje” Herbert Steinberg Fazendo as malas Para curtir um sabático é preciso... Planejamento_Não se ganha salário nesse período. É preciso definir anteriormente o que se vai fazer e o tempo investido. Desligamento_ Esqueça a rotina. “Não adianta viajar para um lugar distante e acessar os e-mails. É preciso haver uma mudança de ares, um afastamento do que você faz todo dia”, conta Antônio Carminhato, CEO do Grupo Soma, que passou onze meses em um retiro na Holanda, em 1998. Desapego_ “A empresa não deve ter papel algum na decisão sobre um período para afastamento e reflexão do executivo. É um momento de reavaliação e de busca, não uma decisão profissional. É um chamado que, quando sentido, é muito difícil de ignorar”, completa Antônio. _leia mais sobre o assunto nos links abaixo:
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