Terceirizando o mundo:

Práticas de terceirização e outsourcing ganham cada vez mais espaço no planejamento das empresas e já afetam PIBs de alguns países.

Sala Vip - 25/04/2008

SÃO PAULO. A prática comercial de pagar outra empresa para lhe fornecer materiais ou serviços que não são o business principal de uma companhia é antiga. No Brasil, ela começou timidamente na virada dos anos 70 para os 80, como uma maneira pensada pelas empresas para se diminuir as tensões com grupos sindicalistas que exigiam mais benefícios trabalhistas.
O tempo passou e hoje a terceirização não é algo exclusivo de grandes empresas. Números do Outsourcing World Summit, realizado em Orlando, revelaram que o setor de terceirização cresceu 300% de 2003 a 2005 em todo o mundo e empresas de outsourcing deverão empregar mais de 3 milhões de pessoas até 2015.
Para Sandra Lucena, gerente nacional de desenvolvimento de negócios PME da Ticket, a terceirização ainda sofre um grande preconceito no Brasil por falta de informação. “A massificação do processo de terceirização é relativamente recente nas empresas brasileiras, mas podemos dizer que já é um sucesso. Utilizar este recurso de forma estratégica nas companhias é fazer a diferença para a evolução do negócio”, explica.
E quais as principais razões que movimentam este mercado?
Na opinião de Antonio Carminhato, diretor do Grupo Soma de RH, a terceirização é uma tendência mundial porque “no mundo atual a concorrência em qualquer setor é grande e as empresas precisam focar no seu core business”. No entanto, a terceirização atingiu um nível de especialização tão alto que muitas empresas hoje estão terceirizando partes do seu negócio central, o chamado KPO (Knowledge Process Outsourcing). Isso vem ocorrendo com muita força no setor farmacêutico, com laboratórios terceirizando seu setor de pesquisa de novos produtos, e no financeiro com o fornecimento de scoring de crédito e análise de fraudes. Segundo uma pesquisa da consultoria KPMG, o setor de KPO deve movimentar cerca de US$ 1 bilhão até 2010. Para Bob Hayward, diretor da KPMG, “o KPO marca a evolução de terceirização, migrando da periferia para o centro da empresa”.
E neste mercado terceirizado quem está roubando a cena é a Índia. Com uma combinação de baixos salários, subsídios fiscais para estrangeiros e domínio da língua inglesa, o país já é hoje a maior sede de call-centers e technology centers de grandes empresas européias e norte-americanas.

Offshoring

Com o avanço da tecnologia, hoje já não existem mais fronteiras para médias e grandes empresas e alguns países despertaram para este mercado mais cedo do que outros. Índia, China e até países menores, como Panamá e Filipinas, têm atraído investimentos milionários.
Atrás destes milhões, empresas brasileiras de TI estão em uma empreitada para colocar o país neste mercado, mas têm enfrentado resistências.
Os executivos do setor alertam que, se fomos capazes de projetar o Brasil como líder em etanol e biocombustíveis, agora, precisamos - e vamos - projetar a competência
brasileira em TI.
O fato é que a mobilização dos ministros ligados ao setor e de entidades da área tem um objetivo: minar a resistência da Receita Federal, que se mostra bastante preocupada com as ações de desoneração que possam vir a ser implementadas na nova versão da política industrial, a ser anunciada ainda em abril. Na verdade, o adiamento desta versão tem sido uma constante. Inicialmente, o projeto seria lançado em fevereiro, mas até o momento, está em “processo final de ajuste”.
Práticas de terceirização e outsourcing ganham cada vez mais espaço no planejamento das empresas e já afetam PIBs de alguns países